quarta-feira, 30 de abril de 2008

O Fruto Proibido

É. Talvez seja só porque eu não posso ter. Estilo a-grama-do-vizinho-é-sempre-mais-verde. Não, não é exatamente isso. É mais estilo garota mimada, mesmo. Vamos falar francamente. Talvez eu só queira porque é justamente o que eu não posso ter. talvez seja um desses truques que a gente faz consigo mesmo sem saber, um mecanismo de defesa para driblar os meus medos e as minhas fraquezas. Querer o que eu não posso ter. Porque se eu conseguir, será heróico. E se eu não conseguir, será uma merda, claro, naturalmente. Mas ao mesmo tempo não vai ser tão ruim assim, porque afinal estava fora do meu alcance. E eu sou uma reles mortal por enquanto.
Ok, infame. Mas continuando. É meio como começar pelo mais difícil. Porque aí, se você errar, se não der certo, tudo bem. Porque afinal você começou pelo mais difícil. Agora errar o mais fácil já é outra coisa. Muito mais frustrante.
Então cá estou eu, desejando aquilo que não posso ter. O famigerado fruto proibido. Adão e Eva eram mesmo uns mimados, eu posso falar com conhecimento de causa, depois dessa. E o que fazer a respeito? Nada. Porque uma garota deve ter um mínimo de self-respect (respeito próprio, não é?). É uma questão de dignidade, que naturalmente vai goela abaixo com alguns goles a mais de álcool. Mas enquanto eu estiver sóbria, é uma questão de dignidade. Porque eu não quero parecer tão desesperada quanto eu me sinto.
Porcaria. Eu não sou o que você pensa. E o que é isso é o que eu gostaria de saber. E eu realmente gostaria de saber. Gostaria tanto que continuo pensando a respeito. Continuo ouvindo os gritinhos e gemidos. Continuo lembrando em flashbacks de todas as merdas que a perda momentânea da minha finesse deixou escapar pela minha boca. Lembrando. De tudo aquilo que não aconteceu, e daquele quase nada que realmente aconteceu. Maldito fruto.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Os Camafeus

Então. Eu sou uma grande música, inspiradíssima. Muito prolixa, tanto que já estou - deixa ver, deve ser já a minha décima banda. Todas de faz-de-conta, naturalmente. E sempre tem uma parte de mim, lá no fundo, que realmente acredita que vai pra frente. Que a banda vai se reunir, tocar, criar. Que a gente vai conseguir marcar shows, lançar disco. Nunca aconteceu. Mas sempre que eu decido formar uma banda nova, eu penso em tudo isso. Nas pessoas dançando, nas roupas. Claro que eu sempre vou pensar nas roupas de palco - quem, afinal, não adoraria se vestir como um rockstar 24/7? Eu gostaria, desde os doze anos. Desde as Spice Girls, eu quero ter uma banda. Porque parece divertido, naturalmente. Mas também para poder usar roupas esquisitas sem ninguém achar muito estranho, ou pelo menos sem ninguém pra me cutucar e perguntar o que é isso que estou usando.

Então, essa nova banda. Vai ter até serrote, ou melhor, ventinhos. E eu vou cantar. E a gente vai fazer dancinhas, usar roupas estranhas, tocar ao vivo para pessoas desconhecidas e lançar álbum. Claro. Ela se chama Os Camafeus, por enquanto.

sábado, 26 de abril de 2008

A Garota que Vive no Céu de Diamantes

Era uma vez uma menina. Era uma vez à uma da manhã. Era uma vez uma menina à uma da manhã, em casa, tomando banho e pensando na vida, pensando se queria ou não continuar, pensando no que fazer e uma vozinha gritando cantarolando na sua cabeça qu'est-ce que je fais, je sais pas quoi fais. E então resolveu que já que estava ali e o carro estava fácil, o melhor a fazer era mesmo dar o fora, saír de casa, fugir daquela noite que se transformaria fatalmente numa ressaca cabulosa na manhã seguinte. Fugir da solidão tão óbvia, fugir daquela metade da garrafa de vodka barata escondida no armário do banheiro. E então a menina saiu, pesou o carro e foi. E do caminho falou com um amigo, e passou no bar e encontrou mais amigos, e foi para o lugar bonito e lá tomou cerveja, e tomou cerveja, e tomou vodka com gelo e tomou mais cerveja. E encontrou um amigo das camisas e gravatas de bolinhas. E depois fugiu de caras que afinal não eram diretos mas que também indiretos não eram, e lá dançou quase nada, e ouviu, e acabou que esqueceu da vida, e viveu. Conheceu o moço que vive de literatura e quase se apaixonou (pelo menos pela idéia, não se pode negar). E fugiu do outro que dormiu com a cerveja na mão (mas que quando ela foi tentar tirar, pra ele não derrubar, acabou acordando - do tipo acordo mas não perco a garrafa, e derrubá-la, jamais).
E conheceu o moço do cabelo estranho, mas da camisa bonita. E eles conversaram no balcão e ele se assustou com a vodka pura dela, e ela mockingbird, e ele bom moço, até que a beijou e ela estava só esperando e disse isso pra ele, que ele demorou e ele riu e disse que era tímido, ela respondeu com uma risada. E eles foram para a casa da menina ali perto, ali no centro, e no caminho ele achou que ela tinha frio e colocou seu casaco sobre os ombros dela, e lá eles sentaram no sofá e começaram a beber mais e se trancaram no banheiro e treparam e ela não só gostou da trepada como achou divertidíssimo trepar com um semi-desconhecido no banheiro da casa de uma desconhecida, e eles voltaram para a rua e ele chamava ela de amor todo o caminho desde a ida até a volta, e ela achou bonitinho mas estranho mas afinal deve ser uma coisa de gente do sul do país, sei lá, ele não é daqui, deve ser isso. E se despediram e o amigo dele que até ali parecia ok deu uma de mané e ela acabou tendo que da carona para a mocinha bêbada e sonada que ele pegou, mas foi tudo bem porque estava tão ensolarado e ela estava de bom humor (por causa do sexo, provavelmente) e surpreendentemente não se perdeu na volta.
E estava tão de bom humor quando estava voltando pra casa que pensou nos outros mocinhos mas sem muito esforço, deu uma volta no quarteirão, e depois passou na padaria e comprou pãezinhos. E bateu na árvore do estacionamento da padaria e disse ops acho que bati na sua árvore (sendo o 'acho' um discreto eufemismo, depois daquele >plec< que fez a batida), mas ninguém reclamou e ela se sentiu feliz e satisfeita por estar bêbada e voltou para casa e para a realidade e concluiu que gostava de viver e que realmente valeu bem mais a pena saír do que dormir no chão do banheiro abraçada com a garrafa de vodka barata. E de quebra conheceu uma bandinha nova, porque todo mundo tem uma banda e é muito muito difícil não pegar um guitarrista (músico em geral, mas guitarrista é mais difícil ainda). E agora ela voltou a sonhar e continua bêbada e feliz e está cansada e vai deixar pra descansar depois porque agora a vida é boa e não vale a pena desligar. E viveram felizes para sempre.

terça-feira, 15 de abril de 2008

E Foi Dada a Largada

E eu começo mais um blog. Mais um. Pensando no quanto seria ótimo se eu conseguisse escrever coisas minimamente decentes e com certa regularidade, e que então eu poderia tramar maquinações mil para que as pessoas lessem as tais coisas. Seria realmente inacreditável. Criei agora esse blog porque não lembro e não estou com paciência para lembrar da senha (e para falar a verdade do login também) do meu outro blog. Nem vou escrever o endereço aqui, que não vale a pena. Agora, novas aventuras. Blog novo, vida nova (nossa, que triste). Mais um blog. E Eu assino Penélope Alcoólatra porque cheguei à conclusão de que faz sentido. Eu sou menina, menininha. Sou pequena, quase fofinha até (não fosse esse piercing na fuça..). E alcoólatra (dizem. mas não é verdade. não). É o bonitinho e o punk rock, mas sem soar emo, por favor. E começa aqui.