É. Talvez seja só porque eu não posso ter. Estilo a-grama-do-vizinho-é-sempre-mais-verde. Não, não é exatamente isso. É mais estilo garota mimada, mesmo. Vamos falar francamente. Talvez eu só queira porque é justamente o que eu não posso ter. talvez seja um desses truques que a gente faz consigo mesmo sem saber, um mecanismo de defesa para driblar os meus medos e as minhas fraquezas. Querer o que eu não posso ter. Porque se eu conseguir, será heróico. E se eu não conseguir, será uma merda, claro, naturalmente. Mas ao mesmo tempo não vai ser tão ruim assim, porque afinal estava fora do meu alcance. E eu sou uma reles mortal por enquanto.
Ok, infame. Mas continuando. É meio como começar pelo mais difícil. Porque aí, se você errar, se não der certo, tudo bem. Porque afinal você começou pelo mais difícil. Agora errar o mais fácil já é outra coisa. Muito mais frustrante.
Então cá estou eu, desejando aquilo que não posso ter. O famigerado fruto proibido. Adão e Eva eram mesmo uns mimados, eu posso falar com conhecimento de causa, depois dessa. E o que fazer a respeito? Nada. Porque uma garota deve ter um mínimo de self-respect (respeito próprio, não é?). É uma questão de dignidade, que naturalmente vai goela abaixo com alguns goles a mais de álcool. Mas enquanto eu estiver sóbria, é uma questão de dignidade. Porque eu não quero parecer tão desesperada quanto eu me sinto.
Porcaria. Eu não sou o que você pensa. E o que é isso é o que eu gostaria de saber. E eu realmente gostaria de saber. Gostaria tanto que continuo pensando a respeito. Continuo ouvindo os gritinhos e gemidos. Continuo lembrando em flashbacks de todas as merdas que a perda momentânea da minha finesse deixou escapar pela minha boca. Lembrando. De tudo aquilo que não aconteceu, e daquele quase nada que realmente aconteceu. Maldito fruto.
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