Eu não costumo me arrepender das coisas. Mesmo que elas sejam uma merda e eu leve uns foras e reclame. Mesmo que eu passe por menininha third grade. Eu não costumo me arrepender das coisas. E é engraçado, mas acho que boa parte das pessoas não percebe isso. Mas é assim que é. Eu vivo, eu faço merda, eu não me arrependo. Eu até me orgulho das merdas que eu faço, às vezes. Porque se eu me arrepender, estarei fodida. Se eu me arrepender, não vou mais conseguir saír da cama. A dor vai voltar mais forte, o enjôo vai voltar mais violento. Vou sentir náusea. Vou sentir tristeza, vou sentir tanta vergonha que não vou conseguir ficar de pé, olhar pra frente. Não. Então eu nunca me arrependo das coisas.
Antes eu costumava não pensar nelas, depois de feitas. Costumava tentar evitar. Passou a ressaca, passou a lembrança. Mas acho que estou ficando bem mais madura agora. Talvez não bem mais, mas um pouco mais, sim, eu gostaria de pensar. E agora as coisas acontecem, e eu vivo, e depois eu lembro, e elas continuam por perto (porque eu não tento esquecer) e é bom. E no final eu até queme orgulho, sim. Não dos feitos extraordinários, mas de ter vivido. E de estar conseguindo lidar com elas. Agora eu aproveito a vida, pelo menos estou um passo mais perto de realmente aproveitar a vida.
Então é isso. Só precisava pensar nisso, e deixar registrado que foi bacana, que tudo é bacana, mas que dessa vez foi bacana, e que eu não me arrependo nem um pouco, e que eu me lembro do que eu disse e continua sendo verdade (não é só porque estou sóbria agora que vai deixar de ser), e que eu sou complicada e que finalmente (este ano) começo a entender que eu sou mesmo complicada. Mas você já sabe. É, você já me conhece. Haha.
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Um comentário:
e aquele vestido bacana hein? quando ce vai me emprestar?
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