domingo, 4 de maio de 2008

Muito Menina

Então eu agora sou uma mulher corajosa. Não. Uma menina, muito menina, corajosa. Uma menina muito menina corajosa que não sabe exatamente o que quer. Que quer tudo, que quer viver e sentir e se divertir. Mas que no final sas contas não sabe mesmo muito bem o que quer. Mas que sabia quem. Mas agora já era, vai dorme. Pelo menos eu serei amiga. E corajosa. E menina, muito menina.
É claro que ainda vai doer, mas é meio comédia humana também. Hey, Lloyd. É, mas na verdade estou intermitente assim. Assim hey, Lloyd, I'm ready to be heartbroken, 'causa I can't see further than my own nose at this moment. Mas tudo bem, porque eu sou corajosa. Cachorrada grande total, de vez em quando, mas corajosa, isso é inegável.
É meio ridículo porque eu decidi, escolhi, um dia, por nenhum motivo muito concreto (exceto os óbvios, que não são muito suficientes). E agora conseqüências. Mas é bom, agora tudo bem. Agora eu posso continuar.
*
Depois de algumas garrafas e doses, pedras de gelo, goles de bebidas doces de menina (será que quando eu entrei você resolveu beber um drink a mais?). Depois de vomitar a alma (HAHA), falar na cara, pitangar até a morte. Depois de conversar ok, de babar, de olhos brilhando (os meus). Depois de dirigir emburrada e brava, e depois devagar, morrendo, escorada na porta. Depois de doer de rir, tetesto, e das ironias da vida. Depois de soltar os clichês de bêbado mais clichês (eu tinha que chegar nessa fase em algum momento da minha vida, afinal). Depois de me lamentar, e me resolver, e me lamentar outra vez. Depois disso tudo eu cheguei em casa, esquentei uma sopinha e dormi feliz, até escrevi uma música. E o melhor de tudo é que a sopinha me ajudou tanto na ressaca. Nas ressacas.
morri ne
vaza de cocoras
Mas sai da mainh frente
canhoto

sábado, 3 de maio de 2008

Falando Enrodado

Amanheceu uma manhã ótima. Super ensolarada. Ma-ra-vi-lho-sa. De dar raiva. Muita raiva. chega a dar ódio. Porque ontem estava tão frio e ruim, e então entramos nesse humor frio e ruim, e agora super gostoso. Não é o que esperava, puta frustração. Dirigindo de volta às 9 da manhã, bêbada. Ensolarado, os olhos quase grudando. Sorte que estou me tornando uma mulher forte o suficiente pra falar na cara (ou pelo menos bêbada o suficiente): não, cara, agora eu vou pra minha casa, sozinha, sofrer um pouco. Depois você me liga se quiser. Anotaí meu telefone.
E é muito verdade que os homens estão se tornando menininhas. E eu dando de cara com o poste, tudo bem, é o álcool. Tá, mais ou menos tudo bem. Mas de qualquer forma, os homens menininhas. Tipo dois convites pra "ficar em casa assistindo filme nesse tempo ruim". Ótimo, adoro. Mas talvez agora eu queira ficar em casa assistindo filme nesse tempo ruim sozinha. Ou pintar. Não quero ser esnobe, nem cruel nem nada. Mas o negócio é que os homens super menininhas. E eu vou realmente me interessar só pelos que não estão nem aí, lógico.
Mas agora tem o sol, o maldito sol, gostoso. Sol de outono, o friozinho e o sol. Bom pra beber vinho debaixo do cobertor (e então eu vou lembrar do ex/alcoólatra, lógico). Não sei o que quero. Na real, sei. Mas adoraria querer não querer o que eu quero, e querer o que eles querem e curtir. Mas..
Penélope Alcoólatra, chorando suas pitangas. Estou tão feliz com a minha recém-adquirida liberdade. De saír, ir pra onde eu quiser, sozinha, na hora em que eu quiser. Conhecer pessoas, dizer que quero ir pra casa e ir, sofrer, sozinha (na verdade nem é tão sofrimento; é mais maneira de dizer). A liberdade. Aprendendo a ser livre, usufruir da minha liberdade. É realmente legal.
Nossa, é verdade. Talvez eu seja mesmo meio alcoólatra. Mas é ok. Bêbada e feliz, às quase 10 da manhã, depois de viver um pouco, e continuando a viver, mais e mais. É.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Pitangueira

Eu e as minhas pitangas. Pobres das meninas, forçadas a ouvir minhas lamúrias intermináveis, repetitivas. Tudo poderia ter sido resumido em três frases. Pobre do moço do pastel, acho que ele ficou com pena. Sentiu meu drama e me deu pastel de vento pra me fazer calar a boca. Toda noite é legal e divertida, mas toda noite tem que ter algum acontecimento do qual eu me arrependo (ou não seria eu). E devo confessar que dessa vez foram as minhas pitangas.
E o pior é que é irônico. Um moço que partiu meu coração disse que eu pensava demais. E eu não tinha pensado nisso até aquele momento, mas depois comecei a pensar e é verdade: eu penso demais. Penso demais nas minhas pitangas, e me esqueço de viver. Porque não dá pra pensar e viver ao mesmo tempo. Dá pra viver e ter idéias. Mas não pensar, pensamento linear, como eu penso nas pitangas. Não.

Porquinho-da Índia

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!

Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos, mais limpinhos,
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...

- O meu porquinho-da-india foi a minha primeira namorada.


Bandeira


*

E anteontem eu fui o porquinho-da-india.