sexta-feira, 18 de julho de 2008

Negação

Acordada às 4:30 da manhã, doente, morrendo. Todo o frio e a dor e o enjôo, essa náusea que nunca vai embora realmente e que talvez, no fundo, seja culpa minha e de mais ninguém. Morrendo, às quatro e meia da manhã sozinha. Em casa, cuidando para não fazer barulho, um pouco difícil com toda a tosse e o tédio.
Não consigo mais dormir durante a noite, é uma merda, e meu nariz escorre. E é lógico que tem a ver com Bukowski, é lógico. Que me faz mal mas também me consola um pouco, quer dizer, pode ser uma merda pra todo mundo.
E então nada faz muito sentido, que é que eu estou fazendo aqui? Às vezes parece que todas as possibilidades mais remotas de algum dia me sentir feliz e em paz não existem mais (mas acreditar realmente nisso seria a morte). E não existem tantas opções. Trabalhar, me conformar, me anestesiar ainda mais (e cada agulhada que mais tarde provocará essa anestesia antes provoca uma dor do cacete e me arranca um pedacinho da pele. Vou acabar com feridas ainda mais feias e pútridas do que aquelas que eu tenho no couro cabeludo). Ou posso morrer como uma hippie rebelde, uma sonhadora que nunca cresceu (essa infantilidade que com o tempo se torna imbecilidade), e ser enterrada como uma louca, e qual terá sido a diferença então?
Mas o negócio é que eu sei que no fundo estou me esquecendo da coisa mais importante, mas afinal eu nunca me esqueço disso. E é por isso mesmo que eu me fodo. Sempre.

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